Parte 2 - Capítulo 3: Os dois imortais.
Hanuman praticamente atirou-se sobre Priora certo de que ela estaria morta, mas não: ela respirava, provavelmente pela força do hábito de uma vida toda, só que todas as suas cores tinham desaparecido e já não havia mais a escuridão da sua interna. Agora ele sabia que as cores que ele tinha visto antes não tinham sido dela, mas de alguém, ou alguma coisa, que desejava descobrir o que era a sua imortalidade.
Levou-a para perto do fogo; ela continuava como se estivesse apenas dormindo, e então lembrou-se de que seria fácil ter certeza da sua imortalidade: pegou a faca e tentou cortar uma mecha dos cabelos de Priora, sem sucesso. Tentou arrancar alguns fios, e também não conseguiu. Mais confiante, pegou uma brasa da fogueira com seus dedos, e, ignorando a própria dor, colocou-a sobre a mão dela, mas nem mesmo a mais leve vermelhidão marcou a pele de nenhum dos dois.
Entrou nos sonhos dela outra vez, mas não a encontrou naquele lugar escuro onde aquela coisa tinha dito que estivera à espera dele, e sim na gruta onde a encontrara pela primeira vez, e ela dormia, sonhando dentro de outro sonho. Ele a seguiu, e chegou ao local que tinha desejado mostrar a ela desde o princípio, idêntico àquele onde agora estavam as suas próprias cores.
Ele então retornou, e esperou.
***
E, afinal, ela voltou: no sexto dia, abriu os olhos, agora negros, parecendo desorientada, e o viu.
- Hanuman, o que houve? Que lugar foi aquele aonde você me levou?
Ele tinha tido tempo de refletir sobre a melhor forma de contar tudo a ela: seria com muita, muita cautela.
- Do que você se lembra?
- Eu me lembro de que você me fez dormir, e logo depois senti como se estivesse sendo puxada por todos os lados, uma dor medonha, parecia que estavam me arrancando as entranhas e a pele, mas, quando eu achei que não suportaria mais, a dor desapareceu e eu estava voando incorpórea em um lugar lindíssimo, cheio de cores e luzes, só que foi tudo muito rápido. Eu não queria sair de lá, mas vi que estava sozinha e acho que isso me acordou. Fiquei com medo de ter me perdido de você.
Para ela, fora rápido: previa problemas para explicar a ela o que tinha acontecido.
- Você gostou de lá?
Ela demorou um pouco a responder.
- Era... diferente de tudo que eu já vi. Queria ter ficado mais tempo.
Ela ergueu a mão e passou pelos cabelos, e ele lembrou-se de que, como não havia mais cores, a qualquer momento ela poderia notar: melhor contar antes que ela percebesse.
Adiantou-se, sentou-se na frente dela e pegou suas mãos enquanto falava, para que ela se distraísse e não olhasse para baixo.
- Eu preciso lhe contar uma coisa que aconteceu, e também preciso que você compreenda que foi inesperado e totalmente involuntário, porque eu realmente não sabia que o resultado seria esse.
- Não estou entendendo.
- Veja bem, esse lugar aonde eu levei você é onde estão as minhas cores, o local no qual todas elas se espalharam quando eu me tornei imortal. – suspirou, tomou fôlego e coragem, e seguiu. – O que eu não imaginava é que, quando eu levasse você comigo, eu levaria as suas cores também, e junto com elas sua cor de vida.
- Levou as minhas cores?
Ele estava nervoso como há séculos não se sentia, e acabou atropelando as palavras.
- Olhe, eu não sabia que isso poderia acontecer, porque a sua cor de vida não estava aqui, mas quando levei você comigo eu acho que, sem querer, veja bem, eu a arranquei do seu outro lado, e, quando ela saiu de lá e nos acompanhou, acabou se espalhando também, e eu... eu...
- Fale logo, Hanuman.
Ele respirou fundo, engoliu seco, e falou.
- Priora, eu tornei você imortal.
Ela congelou, as mãos frouxas nas dele.
- Você entendeu o que eu disse?
Ela demorou para responder.
- Entendi.
- E você não vai dizer nada?
Ela continuou sem expressão.
- Eu não sei o que dizer.
Ele não esperava essa reação.
- Você não sabe o que dizer? Mas você deve estar pensando alguma coisa.
- Eu também não sei o que pensar.
- Sim, mas você não está sentindo nada, raiva, medo, nada?
- Não sei.
- Não é possível, alguma coisa você tem que sentir.
Ele vislumbrou um sinal daquele brilho desafiador nos olhos dela.
- E por que eu tenho que sentir ou pensar qualquer coisa depois de você me dizer uma bobagem dessas?
Enfim a reação que ele esperava.
- Eu acabei de dizer que agora você está imortal, que de alguma forma eu puxei sua cor de vida e a levei junto com você para onde a minha já estava, enfim, você entendeu que você está imortal? – ele frisou a palavra com vigor.
Ela arrancou as mãos que ainda estavam esquecidas entre as dele, e levantou-se. Olhou longamente para elas, e respondeu.
- E você acha que, só porque as minhas cores sumiram, eu estou imortal? Talvez a qualquer momento elas voltem para o lugar delas.
- Eu testei. Tenho certeza, você está imortal.
- Como assim, testou? Você tentou me matar enquanto eu dormia?
- Ora, claro que não! Eu só tentei cortar seu cabelo e encostei uma brasa na sua mão.
Ela olhou outra vez para mãos, e procurou por sinais de queimadura. Evidentemente não havia nenhum.
- Isso é ridículo, só isso não prova nada.
- Priora, você está com fome ou sede?
- Não, mas o que isso prova?
- Você ficou dormindo por cerca de uma semana. Talvez mais, porque eu não sei quanto tempo nós ficamos longe daqui e permanecemos lá onde estão as minhas, aliás, as nossas cores. O tempo lá não existe como aqui. Mas faz, no mínimo, uns sete dias que você não come ou bebe nada.
Ela arquejou, surpresa.
- Não é possível que faça tudo isso, eu praticamente acabei de dormir e já acordei, você está enganado.
Ele suspirou.
- Preste atenção no que eu vou fazer.
Ele se abaixou e pegou outra vez sua faca, e cravou com toda a força sobre a palma da outra mão. Fez uma careta de dor, mas a lâmina não afundou ou tirou sangue dele. Depois a colocou no fogo até avermelhar, e encostou no rosto, enquanto Priora arquejava. Com outra careta de dor, deixou a lâmina lá, empurrando a carne com ela, e, depois de alguns segundos, a retirou.
- Você está vendo? Dói, mas não acontece mais nada. Eu fiz a mesma coisa na sua mão, e não queimou. Tente arrancar um fio de cabelo seu: não vai conseguir. Se eu tentasse enfiar esta faca em você, apesar da dor não sairia sequer uma gota de sangue. Você está imortal.
Ela continuou em silêncio. Sem saber mais o que dizer, ele se desculpou.
- Sinto muito por ter feito isso com você.
Ela franziu a testa.
- E por que você sente muito?
A pergunta o aturdiu.
- Porque você me disse que desejava voltar para o seu outro lado, mas agora isso vai ser impossível. Você compreende isso? Não existe mais a possibilidade de você morrer e voltar para lá.
Ela pareceu refletir por alguns instantes, depois foi em direção à fogueira e pegou uma das brasas na mão.
- AI!
Soltou-a na mesma hora, assoprando os dedos, mas quando olhou e viu que estavam perfeitamente normais, sentou-se novamente, muito quieta, fitando a fogueira.
Ele achou melhor deixá-la em paz, e ela ficou imóvel por muito tempo, de vez em quando passando os dedos pelo fogo e os assoprando a seguir.
Depois de algumas horas, ele resolveu que já bastava.
- Priora.
Ela ergueu os olhos, ainda sem expressão, então ele continuou.
- Eu quero ir embora desta gruta. Antes estava esperando você se recuperar, mas agora que você, bem, não precisa mais de tempo para se recuperar, e, para falar a verdade, nem se recuperar de qualquer coisa, nunca mais, enfim, eu resolvi partir. E quero saber se você vai sair daqui comigo ou não.
Ela nem titubeou.
- Eu vou.
E voltou a fitar o fogo.
- Ótimo. Então... Vamos?
Ela despertou dos seus devaneios.
- Sair agora?
- Sim, agora. Por que não?
- Não sei. É tanta coisa para eu pensar, e você quer sair andando agora? Por que a pressa em sair daqui?
- Porque nós estamos aqui já faz muitos dias.
- Para mim parecem apenas algumas horas.
Ele então resolveu que era um bom momento para contar tudo que acontecera desde o instante em que quis mostrar a ela o local onde estavam suas cores, e agora, pensando bem, que ideia idiota tinha sido, mas deixou o pensamento de lado e começou a partir do ponto no qual ele sentiu a resistência dela em segui-lo; ela ouviu tudo muito quieta, até ele chegar à parte em que aquela coisa furiosa se mostrou a ele.
- Você acha que não era eu quem estava lá com você?
- Eu tenho certeza de que não. Era alguma coisa que queria saber o que tinha acontecido a você e a mim, desejava descobrir o que nos tornou imortais.
Priora refletiu por algum tempo.
- Eu acho que, quando você tirou a minha cor do outro lado, não passou despercebido por lá, mas eu nunca tinha tido notícia de que algum de nós tivesse conseguido entrar pela cor de vida de outra pessoa e a dominar dessa forma.
Após mais alguns momentos de reflexões, por fim ela se decidiu.
- Vamos embora, então, Hanuman. E no caminho você pode me contar como é ser imortal.
***
Eles estavam caminhando sem parar já havia quatro dias e quatro noites, porque, quando ele dissera a ela que para eles a necessidade de comer, beber ou dormir não existia, ela resolveu testar por quanto tempo poderia andar sem se cansar, mesmo ele tendo dito que, baseado na própria experiência, ela poderia caminhar para sempre e nada mudaria.
Ao final do quarto dia, quando ele já estava entediado e observou que seria bom parar e dormir durante a noite, ela só olhou para ele e respondeu que ainda não estava cansada e ainda queria ver o quanto poderia aguentar. Não adiantou repetir a ela que, pelo que ele soubesse, ela aguentaria para sempre: ela apenas o ignorou e continuou a caminhar.
Falaram muito pouco, parando apenas quando uma matilha de lobos os rodeou, e, antes que ele pudesse afastá-los como normalmente fazia, Priora já tinha erguido as mãos e jogado todos pelos ares a uma distância enorme. Alguns não se levantaram mais.
Ele ficou bastante impressionado com a força dela, mas muito mais irritado com o que ela havia feito aos animais.
- Por que você fez isso com os lobos?
- Por que eu não faria?
- Porque eles não poderiam nos machucar, e eu já ia afastar todos eles. Eu posso falar com eles.
- Eu fiz isso porque foi o que eu sempre fiz. Não sei fazer outra coisa.
Não havia muito a dizer após isso, então ele só voltou a andar, não sem antes avisá-la para pensar antes de matar desnecessariamente.
Quando já estava anoitecendo pela quinta vez naquela caminhada interminável, ele perdeu a paciência.
- Chega, Priora. Eu quero parar, comer e dormir.
Ela olhou para ele espantada.
- Mas eu não preciso parar, e nem você.
Ele começou a procurar gravetos para fazer fogo.
- Não precisar não significa que não seja bom. Eu gosto me aquecer, comer, dormir e descansar. Então, é o que eu vou fazer.
Ele deixou as coisas debaixo de uma encosta de morro, e saiu para caçar. Quando voltou do meio das árvores com um coelho e começou a limpá-lo para assar, ela indignou-se.
- Você não precisa comer e brigou comigo quando eu matei os lobos, mas agora você matou um coelho para assar. É um pouco confuso isso, você não acha?
Enquanto ele terminava de preparar o coelho ela continuou lá, em pé, sem mexer um músculo.
Sem dúvida alguma ela era muito irritante.
- Sente-se aqui comigo.
- Eu já disse, não estou cansada.
- Só sente-se, por favor.
Ela, muito reta, sentou-se sobre uma pedra próxima, o que era bem ridículo, já que poucos dias antes ela sabia exatamente como fazê-lo sem parecer uma estátua.
Hanuman suspirou.
- Sente-se aqui no chão, encoste em algum lugar e relaxe. Eu sei que você não precisa, - ele a interrompeu quando ela fez menção de argumentar - só relaxe. Vamos lá, não faz muito tempo que você precisava descansar, então você não deve ter esquecido como é que se faz.
Ela acabou fazendo o que ele pediu. Ele ficou olhando enquanto ela começava a se ajeitar, a princípio de forma rígida, mas aos poucos se espalhando no chão, e afinal fechou os olhos, suspirando.
Levou cerca de meia hora para assar a carne, e, quando a olhou novamente para oferecer a comida, viu que ela tinha adormecido. Estava completamente largada, respirando profundamente, os lábios um pouco abertos, mas abriu os olhos de repente, e ele, pego de surpresa a encarando, atrapalhou-se.
- O coelho está pronto. Vamos comer.
Afobado, partiu um pedaço, mas estava muito quente e o largou outra vez na vasilha, assoprando os dedos.
- Eu acho que eu entendi o que você disse sobre não precisar dormir, mas ser bom.
Ele ergueu os olhos e parou de se assoprar.
- Comer também é bom. E beber. Sirva-se.
Enquanto ela comia, ele falou sobre ter matado o coelho.
- Quando eu me tornei imortal, estava nu no meio de uma cratera, e tudo ao meu redor, a aldeia onde eu tinha vivido, uma boa parte da floresta, enfim, tudo tinha queimado e sumido. Eu senti muito frio e um desespero horroroso, sai correndo de lá, e acho que corri sem parar por uns três ou quatro dias, porque não sentia cansaço, fome ou sede, até encontrar alguns caçadores, quando então eu parei. Eles ficaram muito admirados por encontrar um homem completamente nu no meio da neve, mas ainda assim vivo, e quando eu expliquei que estava fugindo de um ataque que tinha destruído a minha aldeia, acabaram me arrumando roupas e comida. – Ele fez uma pausa. - Eu só percebi que era melhor me sentir aquecido e que ainda gostava de comer e beber depois que eu fiz isso. Quando todos se recolheram para dormir, eu me deitei sem saber se ia dormir também, mas dormi, muito bem, bem até demais, e eles precisaram me sacudir para eu acordar no outro dia. Eu estava me sentindo muito confortável, e cogitei ficar lá dormindo, mas acabei indo com eles. E foi como eu comecei a peregrinar de aldeia em aldeia: foi uma sorte ter encontrado os caçadores, ou sabe-se lá por quanto tempo eu teria ficado só correndo nu sem parar, e outra sorte ter partido com eles, porque agora nós também podemos dormir por dias a fio, e só acordar quando a gente quiser. Nem imagino quanto tempo eu poderia ter ficado lá adormecido, e acabar enterrado debaixo da neve.
Ele perdeu-se em reminiscências por algum tempo, até se dar conta de que ela o estava encarando. Não fora para se perder em lembranças que tinha começado a falar.
-Agora me diga, como você está se sentindo neste momento?
Ela respondeu rápido, sorrindo.
- Muito bem, também.
- E sobre a diferença entre matar os lobos e comer um coelho: eu posso conversar com os animais, sentir o que eles sentem, e sempre escolho os mais velhos, doentes e cansados para caçar. Eles nunca sofrem. Quanto aos que me atacam, apenas os afasto. Eles são tão donos desta terra quanto nós somos.
Ela se recostou outra vez olhando o fogo; achando que Priora devia ter muito no que pensar, deitou-se e virou para o outro lado para dormir.
Também pensou sobre tudo que já tinha passado naquela vida sem fim, todas as incontáveis vezes em que se arrependera de ter feito o que fez, a tristeza e a solidão, e também de todas as pessoas que já encontrara e que sempre morriam. Pensou naquela luta com os escuros, sem nunca ter descoberto por que eles viviam para destruir.
Adormeceu e sonhou com ela, sentindo seu cheiro no sonho; ela estendeu os braços, ele a envolveu, e beijaram-se.
E de repente não era mais sonho: ele abriu os olhos e ela estava ali, deitada em frente a ele, de olhos muito abertos, e ele percebeu que ela tinha acabado de descolar seus lábios dos dele.
Os dois ficaram se fitando, a expressão dela indecifrável.
- O que você está fazendo?
- Eu não sei.
- Você me beijou?
- Beijei.
Ele havia tido algumas mulheres no começo daqueles longos séculos, mas nunca quisera trazer nenhuma para a imortalidade com ele, porque aquela era uma vida muito difícil: sofreu com cada perda inevitável. Decidiu então que as perdas não valiam a pena, e, com o tempo, aprendera a afogar o desejo, porque era mais fácil assim.
Mas agora Priora o tinha beijado.
E ela nunca morreria.
Ergueu a mão e passou os dedos pelo contorno do seu rosto, desceu pelo pescoço, o ombro, o braço dela, ela apenas o olhando nos olhos, esperando, e era tão linda.
Aqueles olhos escuros, tão bonitos e tristes, e o cheiro dela, a luz da lua refletida naqueles cabelos longos... Ele lembrou-se de como era desejar uma mulher, então a puxou devagar para si.
Foi fazendo o que lhe dava vontade, bem lentamente, sem antecipar nada, só sentindo com sua boca, seus dedos, seus sentidos despertando depois de tanto tempo.
Encostou seus lábios nos dela, bem de leve, mas então ela o puxou para si, colou a boca à dele, aberta e quente, e depois tudo foi ficando mais urgente.
Possuíram-se, com força, e rápido.
Ao final, se pudesse, ele teria morrido alegremente ali, com ela.
***
Depois da primeira vez, houve muitas mais, cada uma diferente da outra, até muito depois do amanhecer, e teriam ficado ali sabe-se lá até quando se, em dado momento, ela não tivesse feito aquela pergunta.
- Hanuman, nós podemos ter feito um filho?
Afastou-se dela para responder, ponderando qual a melhor forma de fazê-lo, preocupado com o impacto do que diria.
Demorou tanto nisso que ela repetiu a pergunta, e ele sentiu muita pena dela ao responder.
- Eu acho que nós não podemos fazer um bebê. Veja, nós nunca suamos, não choramos, o que nós bebemos ou comemos sai igual a como entrou, então, bem, eu suponho que eu não consigo colocar um bebê dentro de você. E também não acredito que o seu corpo possa mudar e fazer uma criança crescer dentro dele.
Vendo a tristeza que a invadiu, puxou-a para si, desta vez apenas para abraçá-la.
Após algum tempo, decidiu que já bastava de tristeza e melancolia, e a beijou outra vez, fazendo-a esquecer-se de tudo que não fossem os dois.
Depois, partiram de mãos dadas buscando a próxima aldeia.
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